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Psicologia no dia a dia

17 de setembro de 2013 Reflexões

O que você quer?

          Gosto de levantar reflexões das pequenas coisas, de histórias que leio, de sentimentos que me arrebatam, de lembranças que surgem… E dessa vez não foi diferente… Estava lendo a história bíblica de um cego chamado Bartimeu…

          “‘O que você quer que eu lhe faça?’, perguntou-lhe Jesus. O cego respondeu: ‘Mestre, eu quero ver!’” – Mc 10:51

          “Ora, mas que pergunta!”, devem ter pensado… Como Jesus foi perguntar para um cego o que ele queria? É óbvio!

          Será que é tão óbvio assim? Fiquei pensando no lugar de Bartimeu, aquele cego… Não precisava trabalhar, vivia das esmolas (que não deviam ser grande coisa, mas supriam o essencial…), as pessoas se sentiam no direito de repreendê-lo e tomar decisões por ele, era visto como uma vítima do destino, como alguém que tinha uma fragilidade, uma dependência, que necessitava de proteção… Digamos que nos dias de hoje ele não precisasse enfrentar o mercado de trabalho e nem mostrar que “deu certo”, não teria que escolher seu futuro e nem correr atrás para conquistá-lo… Afinal, ele era cego e sua vida se resumiria às esmolas, sempre. Como os outros tomavam decisões sobre ele, se algo desse errado, simplesmente a culpa não era dele! E mais, ele poderia se lamentar o quanto quisesse da sua cegueira, da falta de generosidade das pessoas, das injustiças do mundo… Seu estado justificava isso!

          Até que parece confortável, não é? De certa forma, “não ver” colocava Bartimeu numa zona de conforto, que ele já conhecia e dominava. Sair desse lugar significava enfrentar o novo, correr riscos, assumir responsabilidades, tomar posse de seu próprio mundo, com todos os seus potenciais e suas limitações. Enxergar era abrir mão de sua dependência e crescer!

          Quantas vezes não ocupamos esse lugar na vida? De dependentes… Incorporamos o papel de quem “não consegue ver”, de quem não sabe, é limitado, é frágil, não entende, é uma vítima das circunstâncias… Quais as dependências que você tem alimentado? Para quem você tem emprestado os seus olhos? Às vezes emprestamos nossos olhos para nossos pais, filhos, amigos, namorado(a), líderes, irmãos… Agimos como se não percebêssemos as coisas e precisássemos que o outro, “que vê com mais clareza”, diga o que é bom para nós, o que devemos fazer, que decisão temos que tomar, como devemos ser. É como se não confiássemos no que achamos, ou como se simplesmente não soubéssemos o que queremos! Precisamos que o outro nos diga! Quando escolhemos não ver, abrimos mão de nós mesmos e vivemos em função do outro, da percepção do outro. E assim vamos vivendo… Talvez sem grandes realizações, mas com o essencial para sobreviver, como o cego Bartimeu.

          Sabe o que tem de fascinante neste lugar? Evitamos riscos, evitamos responsabilidades, evitamos culpa! Quando não ousamos, não arriscamos (até porque dar certo é perigoso… vai que um dia dê errado!), quando o outro escolhe por nós, se acabar mal a culpa é dele! É mais fácil não ver…

          E fiquei pensando… Será que podemos dizer a mesma coisa que Bartimeu: “eu quero ver!”? Será que realmente queremos ver? Queremos amadurecer? Queremos abrir mão das nossas desculpas e tomar as rédeas da nossa própria vida?

          Quando Jesus pergunta o que ele quer, está implicando Bartimeu na sua escolha, está trazendo-o à responsabilidade pelo seu passo. Quando nos questionamos: “Afinal, o que eu quero?”, estamos nos dando uma oportunidade de crescimento. Não finja que não está vendo… Reflita! Assuma os riscos de viver plenamente! Afinal, o que você quer?

2 to “O que você quer?”

  1. Rosane de Paiva Ferreira says...

    Mais uma vez sou surpreendida e agraciada por Deus aqui .
    Quantas vezes me vi com tamanha cegueira. Que bom que Deus abre nossos olhos espirituais.
    Louvado seja o meu Salvador e o Espírito Santo por tanta inspiração que Ele tem dado a está grande serva de Deus.
    Obrigada mais uma vez por ser canal do seu bom trabalho Gabi.

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