Cá entre Nós…

Psicologia no dia a dia

11 de julho de 2013 Reflexões

Deveria… Não deveria…

          Há uma história muito interessante na mitologia grega, sobre um bandido da Ática, Procrustes. Ele oferecia pousada aos viajantes e os colocava para dormir em uma cama de ferro. Se estes fossem menores que a cama, Procrustes os esticava até atingirem o tamanho desta, se fossem maiores, cortava seus membros. O grande objetivo era fazer com que todos coubessem exatamente na cama.

          Cruel, não? Talvez mais cruel ainda seja perceber que cada um de nós tem um Procrustes dentro de si… Quem nunca teve um “surto procrusteano” de querer que o mundo se adapte exatamente às suas expectativas? Os maridos acham que as esposas deveriam querer mais sexo, as esposas cobram que os maridos sejam mais românticos, os pais acham que os filhos deveriam ser mais organizados, os filhos reclamam que os pais não deveriam ser tão preocupados, os patrões acreditam que os empregados deveriam ser mais dedicados, os empregados querem que os patrões sejam mais flexíveis, nós achamos que o Brasil não deveria perder jogo nenhum na Copa… E, assim, na tentativa frustrante de adaptar tudo e todos ao nosso ideal, saimos cortando pés, pernas, cabeças, sonhos, espontaneidade, liberdade… Não importa! É como se naquele momento estivéssemos cobertos de toda razão e pudéssemos moldar o outro na nossa forma do que “deveria” e “não deveria”.

          Algumas versões da história de Procrustes contam um ponto muito interessante: que sua cama de ferro era secretamente ajustável – assim, ninguém coincidia com o tamanho exato da cama. E, cá entre nós, como é complicado corresponder ao nosso ideal! Até porque quase sempre  não sabemos exatamente que ideal é esse! Podemos até expressar algumas características, mas a essência do ideal é que ele é inatingível, impossível de ser alcançado e correspondido. Portanto, se o outro tentar satisfazer as nossas exigências perfeccionistas, o que conseguirá será um “colapso nervoso”.

          Você sabe como termina a história contada? Procrustes provou do seu próprio mal e foi castigado em sua própria cama de ferro pelo herói Teseu. Pois é, ilusão nossa acreditar que somos imunes à “cama procrusteana” de nossas expectativas… Este ideal de comparação sempre nos dará condições de repreender aos outros e a nós mesmos. Ficamos reféns da ansiedade de realizarmos a nossa concepção do que “devemos ser”, vivemos em função da nossa imagem… Esse é o famoso jogo da auto-tortura, que, se permitirmos, nunca tem fim.

          O que você tem eliminado de você para caber nas suas expectativas? Em que você tem tolhido os outros, exigindo que se adaptem ao seu ideal? Será que você tem requerido de você e do mundo mais do que podem ser? Lembre-se que o nosso desejo de controle aumenta na medida em que temos menos confiança em nós mesmos e menos contato conosco e com o mundo.

7 to “Deveria… Não deveria…”

  1. LUCINEIDE PERES QUERINO OLIVEIRA says...

    Ótimo texto, muito reflexivo.

  2. Rosane de Paiva Ferreira says...

    Precisamos exigir menos menos de nós e avançar naquilo que Deus quer para nós. Isso é o que concluo.
    Obrigada amada Gabi.

  3. andreia says...

    como sempre…. ótimo!!!!
    que deus continue te capacitando e inspirando a cada dia,
    bjocas mil

  4. Ziza Venancio. says...

    Otimo!! Querida Gabi!
    Obrigada!

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